terça-feira, 22 de outubro de 2019

Intercâmbio na Idade de Ouro



A vida tem me presenteado com inúmeras surpresas. A maioria delas é recebida com muita alegria e expectativa. Mas esta oportunidade de estudar inglês na Europa durante 15 dias foi realmente surpreendente e assustadora. Um desafio e tanto, como eu pressentia que seria, e foi.

A começar pela viagem em si, até Malta. Minhas viagens internacionais, com poucas exceções, sempre foram através de agência de viagem com guia acompanhante. Assim foi com o Sesc a Portugal, Espanha e Itália. Com a Ricardo Turismo ao fim do mundo – Patagônia. Com a Cláudia Grande ao Peru e a Cuba. E depois do cruzeiro, o tour pela Sicília, na Itália. Eu não estava preparada para chegar a Roma com a amiga Pupi e descobrir tudo por nossa conta. Na verdade, nem foi difícil achar o portão de embarque para Malta. Foi apenas ansiedade causada pela falta de informação.

Embarcamos em Navegantes com destino a Guarulhos e de lá para Roma, na Itália. Nossa companhia, a Alitália, é bem ruinzinha. Em São Paulo soubemos que nosso voo fora cancelado ou substituído, não sei, mas atrasou um pouco a partida. Pelo WhatsApp nos comunicamos com a Renata, da agência que organizou a viagem, e com a Cilce, uma colega de curso, que conseguiu esperar o voo descansando na sala VIP. Pupi e eu ganhamos um voucher para almoço e foi muito bom.

Enfim, chegamos a Roma e depois a Malta. Mr. Jimmy nos esperava na van para levar o grupo aos respectivos apartamentos.

Eu e a Pupi ficamos no La Vallette Apartments, nº 51, Europa Centre, Triq (rua) Sant’Anna, Floriana, junto ao terminal de cruzeiros. Nosso apartamento tinha cozinha e lavanderia coletivas, mas os quartos – o nosso tinha banheiro privativo – são para as duplas. Logo vimos a vizinha brasileira, Isabel, e a coreana Kuanji ou algo parecido. Preferi chamá-la de Yoko Ono. A outra dupla era italiana, duas jovens muito bonitas e magrinhas.

A geladeira também servia para uso coletivo, assim como os armários. Durante o tempo em que estivemos lá, nunca vi problema de alguém pegar algo de outra, ao contrário. Penso que iam embora e deixavam coisas em que ninguém mexia.

Descansamos, afinal, era domingo 22 de setembro de 2019. As atividades começariam no dia seguinte e estávamos mal dormidas. O chato é que recebemos as chaves da entrada do prédio e do acesso ao apartamento no primeiro andar, mas não a dos quartos. Tivemos sorte por não ter nenhum homem conosco, como poderia ter sido e acontece frequentemente.

Fomos procurar a lojinha de conveniências, a três ruas do apê, onde compramos água e algo para comer. Já nos sentíamos em casa.

Segunda-feira, 23 de setembro

A vizinha Isabel e a coreana nos mostraram o caminho para a escola Easy Malta. Um trajeto que repetiríamos todos os dias, mas que não cansa pela beleza do mar, dos navios, das fortalezas e da própria rua que percorremos, ao longo de uma muralha. O sol pela manhã energizava para o dia todo.

Tivemos teste de nivelamento às 8h30. A sala estava superlotada e o ar-condicionado não estava funcionando. Eu não consegui resolver todas as 100 questões no tempo marcado. Talvez umas 70. Tirando as erradas, o saldo parecia meio desanimador. Um intervalo breve e em seguida nos encaminharam para as devidas salas de aula. Não fiquei na mesma turma que a Pupi. Até foi bom, para praticar mais a conversação.

Minha turma ficou aos cuidados da professora Nicola, uma inglesa maravilhosa. Loura, magra, elegante e muito bem-humorada. Conduziu com maestria a babel de idiomas e sotaques. Fiquei na turma da Isabel, a vizinha de apartamento. Brigitte e Kathrin, suíças; Michiko e Sonoko, japonesas; Hwang e Suh, coreanos; e Roswita, da Alemanha, completavam a classe. Entender inglês é uma coisa; entender o inglês que eles falavam era outra muito diferente.

A didática de Nicola baseava-se em nos ouvir. Ao corrigir as construções frasais, usava nosso erro para explicar o jeito certo e mais um pouco. A lousa branca fazia parte de um conjunto tecnológico. Funcionava como uma grande tela touchscreen, em que a teacher escrevia usando o dedo.  Descia até à barra de ferramentas, escolhia uma nova página, ou a borracha, ou a cor da caneta e mais algumas maravilhas.

De vez em quando, conforme o assunto, ela ia ao computador e escolhia um vídeo ou áudio. Fui chamada de Maria, para simplificar. Maria do Samba, depois que falei sobre nosso país, junto com a Isabel.

As atividades duraram até 12h30. Tivemos um intervalo para almoçar e retornamos à escola para o passeio inicial. Dali seguimos juntos até o War Memorial Monument, na praça quase na esquina do nosso prédio. Este foi nosso ponto de encontro quase todos os dias. Ali a van apanhava os Golden Age para acompanhar a/o guia do dia.















Foi muito legal esse primeiro contato visual com Valeta, a capital de Malta. Nossa van nos deixou no terminal de ferries, em Sliema, onde embarcamos para o Tradicional Harbour Cruise. Dali do barco e ouvindo as explicações pelo alto-falante, a visão da cidade em monocromia iluminada de amarelo rosado apresentava uma belíssima tela em três dimensões. De repente, ouviram-se tiros de canhão e fumaça, vindos de uma fortaleza. O audioguia explicou que todos os dias, às 12h e às 16h, há uma cerimônia de tiros em honra aos defensores de Malta. Aos poucos íamos entendendo o que o arquipélago significou ao longo dos séculos até hoje.

Malta, oficialmente República de Malta (em maltês: Repubblika ta' Malta; em inglês: Republic of Malta) é um país insular localizado no Sul da Europa, cujo território ocupa as cinco Ilhas Maltesas, um arquipélago situado no Mar Mediterrâneo, 93 km ao sul da ilha da Sicília (Itália) e 288 km a nordeste da Tunísia (África), 1826 km a leste de Gibraltar e 1510 quilômetros a oeste de Alexandria.
Malta abrange uma área terrestre de 316 km², tornando-se um dos menores países da Europa, possuindo também a maior densidade demográfica do continente. Sua capital é Valeta e a maior cidade é Birkirkara. O maltês é a língua nacional e o inglês é a língua co-oficial.
Ao longo da história, a localização de Malta deu-lhe grande importância estratégica e uma sucessão de potências, incluindo fenícios, romanos, árabes, mouros, normandos, aragoneses, a Espanha dos Habsburgos, os Cavaleiros de São João, franceses e britânicos governaram a ilha. Malta ganhou a sua independência do Reino Unido em 1964 e tornou-se uma república em 1974, mantendo associação na Commonwealth.
A origem do termo "Malta" é incerta, e a variação moderna deriva do próprio maltês. A razão etimológica mais comum deriva da palavra grega meli. Os gregos chamavam-lhe ilha Μelitē, que significa "mel doce", possivelmente devido à produção exclusiva de mel em Malta por uma espécie endêmica de abelha que vive na ilha, dando-lhe o apelido popular de "terra de mel". Os romanos passaram a chamar à ilha Melita. Outra etimologia é que a palavra venha do fenício Maleth, que significa "paraíso", em referência a muitas baías enseadas em Malta.
Fonte: Wikipédia

Foram duas horas que voaram. Que cor de mar! Que lindeza!
Voltamos de van, que para mim era um ônibus, mas vá lá, era assim que a guia chamava. 


Descemos no mesmo ponto inicial e dali o grupo se dispersou. Nós, brasileiras, voltamos para o centro de Valeta para procurar o mercado. Achamos o Is Suq Tal Belt, no charmoso prédio Arkadia, na rua do Mercado (Triq il-Merkanti). O antigo mercado construído no século 19 todo em ferro foi destruído na Segunda Guerra Mundial. Em seu lugar brotou uma obra de arte arquitetônica.

No primeiro piso, ao redor da abertura para as escadas, estão localizadas pequenas lojas de comida internacional. No subsolo, funciona o mercado de alimentos, inclusive frutas, verduras e carnes, além de panificadora e adega. Perfeito.

Voltamos para o apartamento desbravando as ruas. Ao entardecer, Valeta ganha ares de happy hour com os espaços ao ar livre tomados de turistas, trabalhadores, estudantes e toda a sorte de frequentadores. Ninguém parece ter pressa para ir embora. As lojas vão fechando e pouco a pouco só os vendedores de lembrancinhas permanecem até à noite plena.

Nossa vizinha Isabel mudou-se para outro apartamento em Sliema. A permanência conosco era temporária, sabíamos, porque inicialmente ela estava alojada numa residência familiar, mas não gostou. Imediatamente foi transferida para nosso prédio e nesta segunda-feira fez nova mudança. Para melhor, talvez, haja vista a beleza da paisagem captada em foto do alto do prédio. De frente para o mar, a orla de Sliema mostra o charme do balneário pedregoso.

Fim do primeiro dia. Fiz meu homework meio tonta por causa do excelente vinho maltês que compramos.

Terça-feira, 24 de setembro

Rotina de aulas das nove às 12h30. Intervalo às 10h30 para um cafezinho no quinto andar, na sala de descanso com terraço voltado para o mar e o outro lado da baía. Antes do break, estávamos estudando “have you ever”, que me fez lembrar uma música antiga. Na volta, Nicola já havia providenciado o vídeo no YouTube com a música do Creedence “Have you ever seen the rain”. Cantamos em alto e bom som!

Almoçamos, Pupi e eu, com a Isabel, a Rose, a Rita e a filha desta, Amanda, uma garota cidadã do mundo, muito linda e inteligente, além de simpática. Comemos pasta al pesto no Arkadia. Muita comida italiana, por sinal, em todos os restaurantes. A verdadeira comida maltesa ficou reservada para os frutos do mar e doces, pelo que percebi.



 


O passeio do dia foi um pouco mais longe. No horário e local marcados, fomos de van – micro-ônibus para mim – até Rabat e Mdina. No caminho ia observando que as sacadas ou balconies em madeira são marca registrada em Malta. Algumas em franca deterioração, outras recuperadas, são um atrativo extra. 

Nossa guia do dia, Marthese Saliba, ia nos explicando em inglês que a ilha foi praticamente destruída durante a 2ª Grande Guerra porque, na época, pertencia ao Reino Unido e havia se tornado um gigantesco hospital no meio do Mediterrâneo. A História se revelava para nós no aqueduto construído pelo grão-mestre Wignacourt, em 1615, para levar a água de Rabat até Valeta. Os arcos estão dispostos por nove quilômetros. Em muitos pontos servem de estacionamento: uma vaga por arco. Mais História nos muros erguidos com as incontáveis pedras daquele solo empobrecido, nas fachadas das vilas particulares, com direito a cemitério privado, ao longo da estrada. Nem tudo o que a guia contava era possível compreender, mas sempre fica a ideia principal.









Continuamos de ônibus até Rabat, no centro-oeste da ilha. Descemos do ônibus e caminhamos pelas ruas estreitas e limpas. Passamos em frente à igreja de São Paulo, que estava fechada. Tudo ao redor, dos comércios às placas de rua, indicava as catacumbas, mas não tivemos tempo para visitá-las. Rabat foi sede de diversas entidades religiosas e base de monastérios e ordens.

Em determinado ponto, a guia alertou que ao atravessar a rua do terminal de ônibus já estaríamos em Mdina, a outra cidadezinha árabe. As duas cresceram até 1571, quando Mdina deixou de ser a capital de Malta com a chegada da ordem dos cavaleiros de São João. Toda cercada por muralhas, Mdina é encantadora, chamada de cidade silenciosa agora. Antigamente era citta vechia. Seguimos a guia ao longo do caminho observando as construções impressionantes, depois de cruzarmos os portões da fortaleza que cerca totalmente a cidade. Nenhum carro pode circular, a não ser que seja um dos 300 moradores locais.













A rua que atravessa a cidade é a triq Villegaignon . Lá eu percebi que conhecia o nome, depois confirmei. É o mesmo francês Nicolas de Villegaignon que tentou estabelecer uma colônia no Rio de Janeiro em 1555, como estudamos há séculos. Ele era sobrinho do grão-mestre Villiers – o mesmo que trouxe a Ordem de São João para Malta. Como Villegaignon defendeu Malta durante anos, lá ele é herói, enquanto no Brasil virou vilão.
A catedral de Mdina é dedicada a São Paulo, que, contam, teria vivido em Rabat numa cova onde acima se ergue a igreja. A catedral divide com a de Valeta o status perante a Igreja.

O palazzo Falson, do século 13, e o palazzo Vilhena, que fica perto do portão da entrada, abrigam museus. Não visitamos as igrejas nem museus. Subimos até o alto da colina e da muralha tivemos uma vista perfeita da paisagem. Lá longe, o mar. Sentamos para apreciar o cenário e pedi um chá gelado com bolo de chocolate tradicional. Perfeito fim de tarde, com planos de voltar para explorar melhor.



Quarta-feira, 25 de setembro

A aula foi muito boa! Vou reproduzir aqui a minha história sobre algo interessante que tenha ocorrido em viagem. Deve estar cheia de erros, porque não passou por correção da profe. Mas vale.

I’m lost!
When I traveled to Orlando, United States, with my friend Sheila, we lived a complicated situation. She was driving the car and I was reading the Google Maps on cellfone. But there are many roads and I stayed confused.
- What is the road, Mari?
- I don’t know. Google is late!
She got nervous and followed the first option on the right. It was a forbidden entrance for visitors of the Universal Park. I knew this, but I wanted help to get the correct road.
I got out of the car asking for help.
- I’m lost! Help me, please!
And the guard pointed the gun to me.
- - Stop, lady! Go back! Go back!
And I cried.
- I don’t know what is the road to Orlando Park. I’m lost!
My friend did not get out of the car. She laughed a lot.
The police pointed the way to us. Ufa!

Eu fiz um drama. Representei a história e o povo chorou de rir.

Almoçamos na rua do Mercado, no restaurante No 43. Pedi salada a seis euros e suco de laranja natural. Ainda passei em casa – em casa! – para ir ao banheiro antes de seguirmos com o grupo para Grotto, ao sul de Malta. Nossa guia foi a Marita Sacco, maltesa com uma ótima dicção em inglês. A gente percebe que é nativa porque fala Moooolta, quando quer dizer Malta. Muito competente.

Paramos na estrada para ter uma ideia da beleza que nos esperava. O passeio foi de barco, cerca de 30 minutos, que valeram a cada segundo. A Blue Grotto é um espetáculo que chega a emocionar. O piloto do barco explicou que a cor da água é ‘aquamarine’ por causa das algas. Mas em determinados pontos parecem pedras preciosas encravadas nas paredes das grutas. Não precisa de mais nada. Apenas deixar a quietude, a luz, a água e o suave movimento do barco para agradecer ao universo pela oportunidade de viver aquele momento.














Depois do passeio tem que ter fôlego para subir a estradinha. Há carrinhos de golfe a um euro para fazer o transporte, mas não foi necessário para mim. Pausa para degustar um Aperol delicioso com as companheiras de viagem.



Na volta fomos novamente ao mercado no Arkadia para a Isabel e a Pupi fazerem compras. Voltamos caminhando sem pressa pelas ruas no fim da tarde quente. As luzes se acendiam e passavam o aspecto de cenários de cinema, especialmente as muralhas de Valeta. A Triton’s Fountain é linda de dia, mas à noite ganha luzes mágicas!



Tomamos um café antes das compras e depois eu quis provar a baklava, doce típico local. Plenamente aprovado.



Quinta-feira, 26 de setembro

A aula estava divertida, como sempre. Eu erro muito, mas vou falando assim mesmo. Tivemos uma instrução rápida às 13 horas sobre pronúncia e significado dos sinais. Preciso colocar num lugar bem visível para exercitar. É engraçado e interessante aprender o inglês britânico porque o ouvido acostuma com a fala americana.

O passeio do dia foi diferente. Saímos a pé pelas ruas de Valeta. Não entramos em nenhum ponto específico. A co-catedral também ficou para outra ocasião. Marita fala bem explicadinho, não é culpa dela se a gente não entende tudo.

A guia contou que Valeta tem este nome em homenagem a Jean Parisot de la Valette, que planejou a fortificação da cidade quando  os cavaleiros assumiram a ilha. O Papa Pio V disponibilizou os serviços de Francesco Laparelli, engenheiro militar, para a concepção da cidade e dos seus órgãos defensivos. As obras começaram em 1566, com a edificação dos bastiões, procedendo-se depois à construção dos edifícios mais importantes.

















Chamou-nos a observar as escadas irregulares nas calçadas das ruas muito inclinadas, construídas para facilitar o deslocamento dos cavaleiros vestidos de armaduras.
Valeta é considerada patrimônio da humanidade pela Unesco. A capital maltesa foi dominada por fenícios, gregos, cartagineses, romanos, bizantinos, muçulmanos e pela Ordem de São João ao longo da sua larga história. Os 320 monumentos de Valeta nuns escassos 55 hectares fazem da cidade um dos locais de maior densidade histórica do mundo, diz a Wikipédia, que está com os dados bem atrasados quanto a população e média de idade. No entanto, um quadro no site chama a atenção. Ali diz que em 1901 a população era de 22.768 pessoas, enquanto que em 2005, na mais recente contagem, era de 6.300. Acredito que tenha mudado muito. Vê-se muitos imigrantes trabalhando e circulando pelas ruas.

Wikipédia:
Caindo em mãos do Reino de Aragão, passou depois a Espanha. Em 1518, sob o império de Carlos V, foi concedida aos cavaleiros de Rodes.
Em 1530, as ilhas foram cedidas pela Espanha à Ordem Hospitalar de São João de Jerusalém - uma ordem religiosa e militar pertencente à Igreja Católica -, que tinham sido expulsos de Rodes pelo Império Otomano. Esta ordem monástica militante, hoje conhecida como "Ordem de Malta", foi sitiada pelos turcos otomanos em 1565, após o que acrescentaram as fortificações, especialmente na nova cidade de Valetta. Os Cavaleiros de São João de Jerusalém governaram as ilhas até o século XIX.
Em 1798, Napoleão Bonaparte invadiu e tomou Malta. A Grã-Bretanha retomou seu controle em 1800, a partir da rendição do comandante francês, general Claude-Henri Belgrand de Vaubois. Dentre os interventores que contribuíram para o domínio britânico destaca-se Sir Alexander Ball, que veio a se tornar o primeiro governador inglês de Malta.

Paramos em frente a um edifício suntuoso, o Auberge de Castille, na Pjazza Kastilja. Marita explicou que o prédio foi projetado pelo arquiteto Andrea Belli em 1741. O edifício do século 16 já foi o lar dos Cavaleiros de São João de língua espanhola e portuguesa, mas agora abriga os escritórios do primeiro ministro maltês (não aberto ao público). Perto tem a Bolsa de Valores, os jardins do Upper Barraka, igrejas (muitas igrejas – o país é quase 100% católico), museus, a Casa da Ópera (teatro que foi destruído e agora fica praticamente a céu aberto), o edifício do Parlamento (remodelado sobre a antiga aparência, um pouco destoante do resto das construções de época). E muito mais.


Entramos no Upper Barrakka Garden. Numa sombra agradável, a guia Marita contou mais sobre as constantes invasões em Malta até a independência, no século 20. Enquanto ela falava, eu observava o porto, lá embaixo. Dois navios de cruzeiro estavam ancorados, enquanto o vai e vem de barcos não parava. Olhando à esquerda, dava para observar os canhões que disparam duas vezes no dia e também o elevador como o que tem em Salvador, na Bahia. 

Ao fundo, as Três Cidades, que iríamos conhecer em outro dia.


Infelizmente não teríamos a chance de visitar muitos dos locais interessantes, como o Museu Nacional de Arqueologia, o Nacional da Guerra, o Forte São Elmo, o Palácio do Grande Mestre, a Armeria, Salas de Guerra de Lascaris (este point nós tivemos uma ideia quando atravessamos o túnel sob a fortaleza, em busca de um toalete), nem vimos o Teatro Manoel, que dizem ser lindo. Passamos em frente a Casa Rocca Piccola, um palacete de propriedade privada do século 16, todo decorado com móveis e coleções antigas, aberto à visitação mediante pagamento de ingresso.

Mas assistimos The Malta Experience, o audiovisual de 45 minutos sobre a história de Malta desde a formação da ilha. Os fones podiam ser selecionados para inúmeros idiomas, inclusive português. Muito elucidativo. O teatro ficou bem cheio. Felizmente, a temperatura lá dentro manteve-se bem geladinha. Na saída, nossa guia nos dispensou e passamos um bom tempo vasculhando a lojinha do teatro.








Fomos tomar café em frente à Biblioteca Nacional, que já estava fechada, na praça Regina. O café Cordina, fundado em 1837, é um palacete construído em 1944 e representa o melhor da tradição em doces malteses, mas há lanches e pratos variados também. Sentar à mesa sob um guarda-sol e degustar uma bebida vendo o povo passar é uma terapia contra o estresse.

Sem nenhuma pressa fomos caminhando de volta para o apartamento. O ar marinho, as luzes, o clima quente e especialmente a paz de espírito revigoram corpo e alma.

Sexta-feira, 27 de setembro

Na aula fizemos atividades em dupla sobre nosso país de origem. Pena que não deu tempo de apresentar todas as dicas do que não fazer no país da gente.
A Isabel e a Pupi comeram salada e macarrão negro no mercado. Eu fui de lasanha. Dificilmente a gente escapa de uma massa, tal a proximidade com a Itália.

Nessa tarde fomos para o norte com a Marita. Paramos brevemente para apreciar a Mosta Church, a igreja que é a terceira da Europa em relação à cúpula de 73 metros de diâmetro, apenas superada pela de Santa Sofia em Istambul e a da Basílica de São Pedro em Roma. Levou 30 anos para ser concluída em 1860, e – de novo - a Segunda Guerra interferiu na história do local, desta vez com um milagre. Conta-se que, com a igreja lotada, uma bomba caiu do céu, mas não explodiu. Há marcas nos locais atingidos e na sacristia pode-se ver uma réplica da tal bomba, além de assistir a um vídeo que conta em várias línguas como se deu a construção da famosa Basílica da Assunção de Nossa Senhora, Rotunda de Mosta ou a Cúpula Mosta, como é conhecida.










Continuamos até a Golden Bay, um lugar lindo e cheio de gente. A Riviera dourada de Malta. Descemos do micro-ônibus e seguimos a pé, morro acima. Não são muitas as praias de areia no país, então a procura é grande. Linhas regulares de ônibus e os sightseeing levam e trazem o pessoal. A Ghajn Tuffieha, do outro lado do penhasco, também é uma praia linda, mas esconde um desafio de acesso: os 200 degraus até a faixa de areia. A recompensa pelo esforço é um mar perfeito para mergulho e demais práticas marinhas, sem falar no pôr-do-sol fantástico. No bico em que a parte terrestre termina há um tipo de farol muito antigo. Não consegui entender a explicação da guia. Ali o vento estava forte.









Soubemos que estávamos perto da praia do Popeye, mas não a vimos. Para rodar o filme lançado em 1980, foi necessário recriar a vila de pescadores numa praia pouco conhecida de Malta, mas com as lindas águas do Mediterrâneo. Em 1979 foram construídas as 19 casas que compõem a vila, além do cais. A grande maioria das casas é puramente cenográfica e são totalmente vazias por dentro. Mas alguns cenários importantes como a casa do Popeye em si é real tanto por fora quanto por dentro. Depois do filme o cenário ficou e se tornou uma das maiores atrações da ilha. Mais uma atração para a lista de “quase vimos”.

No caminho de volta para Valeta, demos uma paradinha para observar a ilha de São Paulo. Conta a lenda que o santo estava indo de Cesarea para Roma quando houve um naufrágio. Todos os que estavam no barco chegaram àquela ilha e sobreviveram. Dizem que foi então o início da conversão dos moradores de Malta ao cristianismo.


Na chegada a Valeta fomos de ônibus até Sliema para encontrar o supermercado Tower. Muito bom. São três andares de tentações com preços mais em conta. Fizemos a festa nos vinhos. Não sabíamos, mas o bilhete usado no ônibus de ida pode ser utilizado na volta, se estiver dentro do limite de duas horas. Só soubemos deste detalhe no último dia.

Sábado, 28 de setembro





Não teve aula, mas o passeio foi mais longo, até Gozo, ao norte. É uma ilha muito pequena, com 14 Km de extensão por 7Km de largura. Fomos de micro-ônibus até o porto e ali pegamos o ferry até a ilha. Lá nos esperava o guia local, Joseph, que nos levou para um ônibus maior. Paramos em alguns pontos, para fotografar, mas nosso objetivo era o passeio pelo ponto mais conhecido, a Azzure Window. O passeio de barco é conduzido por um piloto-guia, que vai mostrando o que há de mais lindo a ser apreciado. Cruzamos túneis sob a encosta, entramos em grutas escuras, ficamos deslumbrados com a beleza da luz filtrando-se pelos buracos na pedra. Infelizmente, o acidente geográfico que deu nome ao local só pode ser observado por mergulhadores, depois que uma tempestade violenta derrubou a janela azul ao fundo do mar, em 8 de março de 2017. E não são poucos os corajosos em busca dos tesouros submersos.




 






Soubemos que o local foi um dos cenários da série Game of Thrones, visto durante o casamento de Daenerys Targaryen e Khal Drogo. Aliás, Malta é perfeita para filmagens cinematográficas.


Há também um jacaré de pedra no alto do penhasco, como apontou o barqueiro. E também um paredão em formato de caveira! O passeio durou meia hora de puro encantamento. Seguimos o passeio no ônibus.

Paramos para apreciar a Basílica do Santuário Nacional da Santíssima Virgem de Ta 'Pinu, a 700 metros da vila de Għarb. O local recebe peregrinos do mundo todo graças à fama dos milagres de Nossa Senhora, que falava com Karmni Grima. A capela erguida no local dos encontros permanece intacta por detrás do altar, onde está também a pintura da Madona de Ta’Pinu, de 1619.










Seguimos para Xlendi, uma pequena vila com uma praia minúscula numa enseada, onde almoçamos. Reparei de novo no detalhe das portas de algumas casas maltesas. Há uma espécie de cortina de palha do lado de fora. Disse o guia que é para proteger a pintura das portas. Já em outro dia, a outra guia falou que é um sinal para não perturbar a sesta dos moradores, quando ela está esticada. Algumas cortinas estão em fiapos, outras são bem caprichadas.







Almoçamos no Stone Crab, ao lado de uma prainha de águas límpidas na baía. Pedi um risoto de frutos do mar. A comida estava ótima. Tomei a cerveja local, a Cisk, de sabor semelhante à uruguaia Patrícia.

Dali seguimos para Victoria, principal cidade de Gozo. O nome é   uma homenagem à Rainha Victoria, durante as celebrações do jubileu de ouro do seu reinado, em 1887. Malta foi parte do Império Britânico e a sua independência só aconteceu em 1964. Para muitos locais, no entanto, Victoria continua sendo chamada pelo seu nome original: Rabat. Caminhamos pelos labirintos das ruas, vimos imagens de santos no alto das casas, nas esquinas. Fizemos algumas comprinhas.



Mas não paramos para apreciar a grande atração turística da Ilha de Gozo, no ponto mais alto de Victoria. A Cittadella é uma cidade-fortaleza no topo da montanha. Foi construída no século 15, mas por conta da posição estratégica, o local já era usado como fortificação desde a era do bronze.

E nem visitamos os Templos dos Gjantija – gigantes – que remontam a 5.500 anos, anteriores, portanto, às pirâmides do Egito. As pedras enormes teriam sido depositadas por homens gigantes. São dois templos megalíticos, tombados pela Unesco como patrimônios da humanidade. Há mais arqueologia em Malta para explorar, com algum tempo a mais.
Continuamos o caminho de volta até à balsa e de lá para Valeta. Comemos pizza com cerveja e fomos para o alojamento, muito cansadas.

Domingo, 29 de setembro

Folga para dormir até mais tarde. Tomamos café e fomos encontrar a Isabel no chafariz. Descemos até o terminal de ônibus – terminus em inglês, como ensinou Nicola porque terminal é o estado de quem vai morrer. Pegamos o ônibus para Marsaxlokk, uma vila de pescadores onde há uma feira até às 13 horas. A feira também tinha peixe, lá no final. Ao longo da calçada rente ao mar, as barracas ofereciam de tudo um pouco. Roupas, malas, lembrancinhas, temperos, comidas, calçados... Muitas tentações.
Andamos pela feira e depois fomos almoçar num restaurante italiano. Havia grande procura pelas mesas na calçada em frente ao estabelecimento. Comemos seabass com legumes, muito saboroso.

















Depois do almoço viemos embora. Fazia muito calor, e a subida até o ponto do ônibus só piorou a situação. Mas lá dentro estava geladinho e vazio. Foi uma viagem rápida. Descemos em Floriana e ali mesmo subimos em outro coletivo para Sliema. Queríamos ir à praia. 






E fomos, mas é triste ver a dificuldade para curtir o sol. Muita pedra escorregadia. Os mais espertos usavam um tipo de calçado antiderrapante. E o outro problema é que o sol se esconde rapidamente atrás dos prédios da orla. Parecia Balneário Camboriú.

Gatos há muitos pela ilha. Vimos casinhas, abrigos, potes com água e comida, pessoas fazendo a reposição dos alimentos... Muito bonito o carinho com os bichanos.

Tomamos um cappuccino e voltamos para casa, satisfeitas com o lindo dia que vivemos.

Segunda-feira, 30 de setembro

Lamentei muito que nossa colega Michiko mudou de sala. O nível dela realmente é bem mais adiantado do que o nosso. Uma pessoa linda, sorridente, amável, exatamente o estereótipo da japonesa padrão.  

Novamente nos encontramos em frente ao War Memorial Monument, às 14h30. Nessa segunda semana já estávamos familiarizados com os demais membros do grupo Golden Age. Surpreendentemente, havia alguns homens, como o japonês que morou no Brasil, o alemão bem alto e os dois coreanos que estudam comigo. Nossa amiga Yoko Ono continua sorridente e deixando-nos sem saber o que está falando.





Fomos conhecer um local novo, ainda em construção, como um shopping a céu aberto, o Ta’Quali Crafts Village. Apreciamos uma artista executar um belíssimo e intrincado colar em filigrana com um fio extremamente fino. A arte da joalheria é uma das bases da economia do arquipélago. A loja oferecia todo o tipo de enfeites em pedras, pérolas e prata.
Ao lado, em outro galpão, os artesãos moldavam o vidro em alta temperatura. No fundo, após a oficina, abria-se um salão de exposição e venda dos produtos em vidro. Pura arte também. E cara.






Nosso passeio continuou em direção a San Anton Gardens, um jardim botânico em frente ao palácio presidencial. O local é público, antigo e muito bonito. Os jardins pertencem ao palácio que foi construído entre 1623 e 1636 pelo grande mestre Antoine de Paule. Foi residência do governador britânico de 1802 até 1964 e agira pe a residência do presidente maltês. Os jardins foram abertos ao público em geral em 1882. Lá estão plantados diversos exemplares que foram levados como presente. Em 2005, a rainha Elizabeth II repetiu a visita ao palácio como havia feito em 1954 e 1967.
Foi um alívio caminhar sob a sombra de tantas árvores lindíssimas, inclusive um jacarandá brasileiro. E sem contar os inúmeros moradores que cruzaram os caminhos ou enfeitaram o chafariz. Foi revigorante.











Terça-feira, 1º de outubro

Entramos na fase de estudar expressões úteis em inglês. Pedir ajuda para chegar a determinado lugar, por exemplo.

O passeio da tarde foi um tour pelo sul da ilha de Malta. Descemos do ônibus na cidadezinha de Hal Ghaxaq. Nos seus primeiros dias, no início do século XV, a vida da aldeia em Ghaxaq estava centrada na Igreja. A primeira capela foi construída lá em 1511 e foi dedicada à Assunção de Santa Maria.

Marita nos conduziu pelas calçadas estreitas para apreciarmos as construções antigas e habitadas por gente comum. Mostrou-nos uma escola onde o ensino era aplicado separadamente para meninos e meninas. Aproveitou para contar que do primeiro ano escolar ao último, antes da universidade, todas as crianças e jovens estudam apenas cinco disciplinas: maltês, inglês, matemática, estudos gerais e religião. Sempre. Só isto. Para se ter ideia da força do catolicismo entre a população.

Mostrou-nos o interior de uma residência. Um portãozinho insignificante que permite o acesso a três habitações para pelo menos três famílias. E também chamou a nossa atenção para as portas duplas, sendo a segunda, após um pequeno hall, geralmente de vidro e encortinada no maior capricho.

Paramos em frente à igreja para a continuação das explanações. Parecia não existir nenhum ser vivo na cidadezinha. Até a igreja estava fechada, bem como o clube de música, do outro lado da rua.



Continuamos a viagem até Marsaxlokk, que nós três já conhecíamos. Aprendemos que marsa significa porto, daí ter tanto lugar com esta palavra no nome. Dessa vez não havia feira, ou o que restara dela estava nos últimos expositores. Sentamos para tomar um vinho e paguei 10 euros por uma garrafinha que em Valeta custa um quarto deste valor. Que besteira.








Voltando para a capital, procuramos algo para comer que já fosse nosso jantar. Escolhemos o hambúrguer porque é bem tradicional e gostoso. Com cerveja para mim, claro. Excepcionalmente a professora não passara tarefa de casa. Ufa!


Quarta-feira, 2 de outubro

Dia de caminhar pela cidade. Desta vez vamos à co-catedral de São João – Kon-katidral ta’ San Gwan. São bem rigorosos lá. Nada de ombros de fora. Tem até um xalezinho de TNT para cobrir os ombros das mais desnudas. Muitos grupos fazendo o mesmo caminho.
Por fora é grande e austera. Mas quando se entra, é ofuscante.






















Wikipédia:
Foi construída pelos Cavaleiros de S. João entre 1573 e 1578. Incumbida pelo Grão-Mestre Jean de la Cassière em 1572 como igreja conventual da Ordem dos Cavaleiros de S. João do Hospital - conhecidos como Hospitalários ou Cavaleiros de Malta , a Igreja foi desenhada pelo arquiteto militar maltês Gerolamo Cassar que delineou alguns dos edifícios mais proeminentes de La Valetta.
A Catedral contém oito ricas capelas, cada uma das quais dedicada ao santo padroeiro das oito línguas (secção ou origens) dos Cavaleiros da Ordem. Do lado esquerdo da igreja encontram-se as seguintes capelas;
A Capela da Liga Anglo-Bávara, outrora conhecida como a Capela da Relíquia, onde os Cavaleiros costumavam manter as relíquias que tinham adquirido ao longo dos séculos.
A Capela da Provença é dedicada a S. Miguel.
A Capela de França é dedicada à Conversão de S. Paulo.
A capela de Itália, dedicada a Santa Catarina de Alexandria, santa padroeira da secção (língua) Italiana.
A Capela da Alemanha é dedicada à Epifania de Cristo. A pintura principal é do pintor maltês Stefano Erardi.
Do lado direito da igreja existem as seguintes capelas;
A Capela do Santíssimo Sacramento, outrora conhecida como a Capela de Nossa Senhora de Filermos.
A Capela de Auvergne é dedicada a São Sebastião.
A Capela de Aragão é dedicada a São Jorge. O quadro principal foi pintado por Mattia Preti e é considerado como uma das suas obras-primas.
A Capela de Castela, Leão e Portugal é dedicada a Santiago Maior.
A pintura que A Decapitação de S. João Baptista (1608) de Caravaggio (1571–1610) é a obra mais famosa da igreja. Considerada uma das obras-primas de Caravaggio e o único quadro assinado pelo pintor, a tela é exibida no Oratório para o qual foi pintada. Restaurada em Florença nos finais dos anos 90 do século XX, esta pintura mostra um dos usos mais impressionantes do estilo Chiaroscuro que o tornaram famoso – o circulo de luz que ilumina a cena da decapitação de S. João Baptista a pedido de Salomé. O oratório alberga igualmente o quadro “S. Jerónimo” (1607–1608) também de Caravaggio.

Bem, e o nome?  Por que Co-catedral? Porque a catedral estava em Mdina até 1820 e o bispo tinha autorização para usar a igreja de São João como alternativa. E ficou com o nome até hoje.


Foi marcado um ponto de encontro em frente a igreja. Dali nos reagrupamos e seguimos pelas ruas de Valeta até o cine-teatro onde assistimos em 5D um espetáculo interessante sobre Malta, as invasões, as guerras, a reconstrução. As cadeiras se moviam, podíamos sentir o vento, a água, o cheiro do pão assando, tudo muito bem feito.







Dispersamo-nos no centro, onde compramos lembrancinhas e caminhamos sem pressa.








Quinta-feira, 3 de outubro

Estávamos com a sensação de perda. O assunto mais recorrente já era voltar para casa. Ao mesmo tempo em que dava vontade de ir, também vinha a vontade de ficar mais e conhecer o que não fora explorado.

Comemos um peixe com vegetais muito saboroso, na rua do comércio. Depois fomos pela última vez ao meeting point, em frente ao memorial da guerra.


Nosso programa seria conhecer as três cidades - The Medieval Three Cities. Depois percebi que era do outro lado do porto nosso vizinho. Um bom nadador faria a travessia em linha reta. Mas nós fomos de micro-ônibus até onde dava para trafegar. Descemos e começamos o city tour.


















Atravessamos por uma ponte sobre um canal pontilhado de embarcações de todos os tipos e tamanhos. Dali seguimos ao centro histórico de Cospicua (conhecida também como Bormla), que abriga grandes vestígios monumentais construídos pelos cavaleiros da Ordem de Malta. Fortalezas separadas por setores, conforme a língua nativa dos cavaleiros. Não entramos em nenhum prédio. Seguimos a guia que desenrolava as explicações para quem conseguia ouvi-la.



 Nem percebemos quando já estávamos em Vittoriosa, chamada Birgu pelos malteses. Sua localização privilegiada fez com que essa cidade fosse escolhida como capital de Malta até 1565. O nome foi dado pelos cavaleiros da Ordem de Malta para celebrar a vitória contra os turcos otomanos. Com o domínio da ilha e sendo Mdina a capital no centro, construíram a cidade como parte da estratégia de estarem junto à poderosa força naval.

Em Vittoriosa está o forte Santo Angelo, localizado sobre um promontório. Interessante é que desde 1998 a parte superior do forte foi cedida pelo governo à Ordem de Malta, como atestam as bandeiras içadas.

As ruas estreitas de pedras lisas e irregulares são testemunhas de muitas histórias e História. Os balcões em madeira oferecem um espetáculo à parte, especialmente nas casas preservadas. A segunda porta, envidraçada e encortinada, também puderam ser apreciadas de perto. Geralmente há uma plaquinha com um nome, ao invés de número nas casas.





















Pudemos entrar numa autêntica casa normanda do século 13. Lembrando que Malta foi arrasada durante a 2ª GG. As residências dos cavaleiros, chamadas de auberges, ainda estavam lá, distintas conforme a nacionalidade do guerreiro.


Não fomos ao Museu do Inquisidor. Aliás, por ser praticamente 100% católico, a Inquisição manchou a história desse país, conforme os tristes registros. No palácio funcionavam as celas da Inquisição e o escritório, que podem ser visitados. Junto ao cais de Birgu está o Museu Marítimo, que expõe a trajetória naval de Malta ao longo dos séculos.

Paramos na esquina do Café du Brazil, na praça central, para um breve descanso. Dali embarcamos no ônibus de volta para Valeta. Confesso que não sei mais onde fica Senglea, cidade também conhecida como “Civitas Invicta” por nunca ter sido rendida nem invadida pelos otomanos. As três cidades são conhecidas, coletivamente, como Cottonera, graças às linhas de fortificação que as cercam, obra do século 17 comandada pelo grão-mestre Cotoner, o mesmo que mandou redecorar a cocatedral de São João em Valeta.  As reentrâncias da baía formam ancoradouros naturais que durante séculos abrigaram as frotas inglesa e maltesa.


A vista do Grand Harbour (Grande Porto) de Valeta, as marinas, os barcos típicos malteses, o brilho do sol na água, emocionam pela beleza e pela carga de energia. É um privilégio poder apreciar tanta obra humana e ter uma vaga ideia do que aquele povo sofreu e viveu.

Bem, voltamos para Valeta e ficamos por conta própria. Tivemos que comprar mais uma mala, Pupi e eu. À noite teve ensaio para a Notte Bianca, que rolaria no sábado, justamente quando iríamos embora. Do outro lado da rua, atrás de um prédio antigo, havia um espaço para shows, perfeitamente audível do nosso apartamento. Mas não se limitavam apenas a aquele espaço, não. A Notte Bianca acontece em toda a cidade com espetáculos, apresentações, exposições e mais outras maravilhas. Vimos ensaios pelos diversos palcos espalhados pela cidade. O melhor é que é tudo gratuito.


Sexta-feira, 4 de outubro

Enfim, chegou o dia de dizer adeus. Eu estava um pouco nervosa, com medo de um possível teste, mas não aconteceu. Revisamos alguns conhecimentos úteis e brincamos bastante. 




Tiramos fotos, recebemos nossos certificados e aguardamos a hora de sairmos juntos, todos da Golden Age, para a última caminhada até o Nenu, Artisan Bakery, onde almoçamos. 


De entrada, um pão maltês com patê de tomate e outra pastinha. O prato principal foi Ftira, espécie de pão/pizza como massa e cobertura de molho, batata, azeitonas, tomates, cebola, hortelã e lampuki (dourado do mar). Vem numa tábua e a gente pensa que não vai dar conta, mas dá. De sobremesa um doce tradicional. Uma taça de vinho, água e café com muito cravo, canela e outra especiaria que não reconheci. Muitos abraços e promessas de manter contato. Duvido.










Saímos apressadas para pegar o ônibus de linha até Rabat, porque a Isabel queria muito ver as catacumbas da igreja de São Paulo. Chegamos em cima da hora de fechar a bilheteria, mas conseguimos. Fiquei meio decepcionada com o que vi. Algumas covas subterrâneas espalhadas num terreno amplo e bem sinalizado, mas sem maiores interesses.







Entramos na igreja e foi bem bonito. Estavam rezando o terço em maltês. A igreja é muito bonita, realmente. Transmite a paz que se procura num lugar como aquele.




Bebemos algo antes de voltar. Tínhamos ingressos para o show Radio Italia Alive, em frente ao nosso apartamento, mas não tivemos coragem de ir. Estávamos cansadas e precisávamos terminar de arrumar as malas. Ficamos ouvindo as músicas e vendo o movimento na rua. Felizmente acabou antes da meia-noite, para dormirmos a última noite em Moooooolta.





Sábado, 5 de outubro

O checkout estava marcado para as 11 horas, então aprontamos as bagagens e levamos para a cozinha. Deixamos lá para dar a última caminhada por Valeta. 
Passamos por uma igreja grega onde estava acontecendo um batizado. 

Almoçamos no Arkade, num restaurante de comida turca ou algo parecido. Pedi cordeiro, batatas, vinagrete, cuscuz marroquino e mais uns acompanhamentos.







Andamos mais um pouco pelas ruas já tão conhecidas, compramos mais algumas tralhas e voltamos para tomar banho. A faxineira chegou e nos permitiu tomar um banho rápido. Ficamos esperando o transfer, mas quem chegou com ele foi nossa amiga Sonoko, colega de aula. Estava saindo da casa onde ficara para ocupar nosso apartamento. Foi uma festa o nosso reencontro.


Mr. Jimmy chegou um pouco antes do horário para nos levar ao aeroporto. Tivemos tempo para comprar um copo de vinho – sim, já no copo, com tampa. Nosso voo para Roma saiu 15 minutos antes do horário previsto. Dali em diante foi só acertar o fuso horário em cinco horas a mais e chegar em casa para contar as aventuras de um intercâmbio tardio, mas não menos interessante e divertido.

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